Green Day Cover – São Paulo – Brasil

GREEN DAY COVER – TOUR XX ANOS

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2018 nós completamos 20 anos de história, então resolvemos contar essa história pra vocês, de forma resumida é claro, mas que você se intere e entenda o porquê nós chegamos tão longe por tanto tempo. Se você é fã de Green Day, talvez se indentifique – se você tem uma banda, provavelmente vai se identificar também – se você é contratante, olha só o trabalho que a gente teve pra você chegar até aqui – se você é um hater, estamos cagando no momento.

Divirtam-se.

1998 foi a primeira vez que o Green Day pisou no Brasil. Já estourado na televisão e no rádio com o álbum Dookie e fazendo as vezes do lançamento do Nimrod em terras tupinikins, a banda arrastou uma legião de moleques que realmente piravam com o trio pirado americano. Um destes moleques foi o Guille, que na época com 16 anos, já sabia tocar na guitarra e cantar todas as músicas. Era uma época em que gostar de uma banda significava comprar o disco, cheirar o encarte, traduzir as músicas, procurar as VHS dos shows e passar boa parte do tempo procurando arquivos no Napster e infectando os computadores com diversos tipos de vírus, e arrastar algumas notas numa guitarra barata era o passatempo preferido dos rockeiros da época, e convenhamos que os 3 acordes do trio americano eram um desafio aparentemente fácil.

Saiu do show extasiado e decidiu montar uma banda. Queria mesmo era tocar Green Day. Queria sentir pra sempre na pele aquele momento horas antes que tinha mudado a sua vida e resolveu que agora precisava encontrar loucos iguais que topassem fazer esse sonho com ele. O Guille era um tipico moleque do ABC Paulista, ia ver bandas cover no Gardens, no Excalibur, no Dubuiê e no Esquína Brasil, que era o que tinha pra época. E como todo moleque, dava o truque do RG e ia ver uma banda que gostava em algum desses bares, e realmente ver a galera tocando deixava ele doido de vontade de estar no palco.

Chegou no colégio chamou dois amigos que sabia que tocavam pra montar com ele o Cover do Green Day, foram eles Guilherme (Baixo) e Jonathan (Bateria) e passaram alguns meses ensaiando na casa do Roger, eis que o baixista chegou com a possibilidade de tocar em um show da igreja que ele frequentava. Por que é bem engraçado pensar agora que o primeiro show da banda foi em uma igreja, pois nessa transação estavam todos enganados. Os moleques acharam que o show ia ser um estouro e todo mundo ia pular e bater cabeça e tal – o pessoal da igreja não podia esperar por algo pior. Resultado foi óbvio, decepção – o som tava um horror, o povo saiu correndo as pressas e pra completar o padre ainda deu um sermão no baixista que o fez sair da banda com medo do inferno. Mas sobrou um registro desse primeiro dia:

O que pra uns é o fim, pra outros é o começo. Mais um show marcado, festa de fim de ano, desta vez na escola. Vocês tem que entender, que fazer um som na quadra da escola é praticamente o ápice de tensão e pressão que um moleque pode suportar, porquê é muita gente que você convive todos os dias, e o mundo colegial não perdoa erros. Pois bem, no dia anterior do show, o baterista resolveu ter uma crise de pânico e sair da banda, e o já desfalcado time perdeu mais um cara, UM DIA ANTES DO SHOW MAIS DESGRAÇADO DA VIDA. Então o irmão mais novo do Guille, que já acompanhava todos os ensaios, gostava da banda tanto quanto, mas não sabia fazer um ‘O’com um copo na bateria, Conras que com recentes 14 anos na época falou: “vâmo para de estresse aí que eu toco”.  Tocou… tudo errado, mas tocou… foi no tempo, o show aconteceu, e a brutalidade do menino (marca registrada até hoje) encobriu o abismo do ex baterista e o saldo foi positivo. Acabou o show, eles se olharam e resolveram que iam fazer essa parada acontecer de verdade. Nesse dia foi formada a espinha dorsal da banda, Guille e Conras pra sempre tocaram juntos em todos os projetos e principalmente no Green Day Cover, até hoje. Infelizmente não temos fotos deste dia, a tensão tomou conta da precaução, mas esse é o dia D pra banda viver até hoje.

Virou o ano e eles encontraram um cara disposto pro time. Leandro Tasselli assumiu o baixo e ficou na correria por 3 anos com os irmãos. Essa história tem muitas entradas e saídas de integrantes, e não convém ficar explicando muito o porquê um ou outro saiu, e como encontraram o outro, o lance é que todos são amigos ainda e levar uma banda por muito tempo não é uma tarefa fácil. O interessante do Leandro é que ele era um cara completamente louco e empenhado, o que deu uma estabilidade pra banda chegar num próximo momento. O nível musical da galera toda era meio que igual – lá embaixo – mas todos eram esforçados e com essa formação começaram a fazer shows em qualquer lugar que fosse possível fazer um som, passando inclusive pela gloriosa tarde de domingo, onde uma dona de uma esfiharia chamada Sheik em São Bernardo, cansada da banda, pegou o microfone e quebrou no chão mandando todo mundo embora. Todos os shows dependiam de uma logística absurda, uma vez que ninguém dirigia, e nenhum lugar tinha equipamento, imagine!

Até que 2 deles selaram essa fase da banda. Primeiro foi um festival que aconteceu na Vila Mariana e a banda ganhou seu primeiro cachê – uma cooperativa de bandas, que dividindo a portaria com o produtor local e posteriormente dividindo entre as bandas e seus integrantes – sobrou um equivalente de R$6,70 pra cada um. Nesse dia eles levaram amplificadores, pratos, ferragens e etc até o local de trólebus/metrô, esperaram dar 5 horas da manhã e voltaram pra casa carregando os mesmos equipamentos na mão pela rua. Óbvio que as famílias queriam matar os moleques, mas a satisfação não tinha preço.

Eis que entrou o segundo show marcante. Festival de bandas do extinto bar Volkana. Vários dos Covers que tocavam nos bares da região estavam participando, bandas que a galera mais velha e experiente já tocavam – Queen, Kiss, Iron, Metallica, Korn, Bon Jovi – e perdido no meio o Green Day Cover. Eles ficaram na tensão, saiu a data da eliminatória deles, e aí foi ensaio atrás de ensaio. Rolou o show, eles lotaram a casa de amigos, e tocaram bem – saiu segundo lugar pra banda e vaga pra próxima fase. Nessa noite ninguém dormiu, pois eles perceberam que por mais loucura que fosse aquele festival, eles tinham agradado pessoas quando tocaram.

O festival foi indo, passaram mais duas eliminatórias e caíram na final. Independente de resultado, nesse lugar e nesse momento, eles perceberam que tocar ia além da grana e de todo o perrengue que era carregar tudo pra lá e pra cá. Se resumia em pessoas desconhecidas elogiando e tendo prazer em assistir o som que os moleques faziam.

Alguns registros da época, de 1999 até 2001.

Pouco tempo depois o Leandro saiu e começou uma nova fase da banda. Dessa vez um pouco mais duradoura, com o Christian no baixo. Esse cara era do colégio, gostava de Green Day desde sempre também e tinha um visual que lembrava o baixista do Green Day. O Chris ficou na banda por 4 anos, pegou uma fase um pouco mais tranquila em relação a carregar tudo pra lá e pra cá, uma vez que já tinha um carro à disposição e o Guilherme já tinha passado dos 18, mas eles estavam tentando lidar com algo um pouco mais complexo.

O festival do Volkana deu vontade nos caras de tocar por aí e tentar ser melhor musicalmente. Começaram a brotar convites pra shows e festivais por aí, mas pra coisa andar tem que ter investimento, não tem jeito, e como ninguém trabalhava a ponto de conseguir comprar uma guitarra top, um equipamento que aguentasse fazer um som em um lugar maior ou até mesmo chegar no lugar do show que tinham convidado, chegar no nível das bandas que eram referência pra eles no cenário cover se tornou um sonho distante, tudo parecia absolutamente impossível.

Nesse meio tempo, eles começaram a conhecer uma molecada que também tocava, também não tinha grana e que estavam fazendo muito som por aí com músicas próprias. Estávamos aí dois ou três anos antes de todo mundo saber o que era Hard Core e termos Emos espalhados por todos os cantos, mas como eles já tinham umas músicas próprias, que foram compostas na brincadeira entre um ensaio e outro, resolveram se jogar com essa galera que posteriormente construiu uma das maiores manifestações que o Rock já viu no Brasil. Todo mundo sabe o que o HardCore virou nos idos de 2005 pra frente. O lance é que eles já tinham um nome, tinham umas músicas, e se jogaram no lance de ter a banda de som próprio.

A banda existe. SHILEPER HIGH. Existe até hoje. Lançou 2 CDs. Fez turnê nacional, abriu show de banda gringa pra caramba e rodou um país. Mas como aqui é o lugar do Green Day Cover, o fato é que a banda ficou meio esquecida nesse período. Fizeram os shows que dava pra fazer, perto de casa, ou quando tinham condições de ir até o local do convite. Outro ponto é bom ficar claro: CACHÊ não existia, se falasse nisso a banda já era cortada do evento. A palavra “Ajuda de Custo” inclusive soava como um insulto. Enfim, não dá pra cobrar muito da molecada que não sabia muito o que tava fazendo.

Esse período aconteceu muita coisa. Vale destacar o festival que os moleques chegaram pra tocar, deram “oi”, viram o horário, cumprimentaram os amigos, abraços pra todos e foram comer um lanche na padaria perto. Era um festival com 16 bandas covers – VEJA BEM – 16 bandas, e estava começando a primeira. Ficaram na padaria uns 40 minutos e quando voltaram, não tinha mais nada. Casa fechada, luzes apagadas, ninguém na rua, como se não tívesse existido o evento. Nem vestígio dos bêbados da porta. Voltaram pra casa, sem o show – sem explicação – sem saber o que estava acontecendo. Coisas malucas que sempre rondaram o GDC.

A questão da falta de grana, excesso de compromisso, falta de estrutura começou a pegar um pouco na relação da galera. Lembrando, que o fato do Guille e do Conras serem irmãos, os ‘pega pra capa’ na banda sempre são um show a parte, mas eles não iam sair pra lugar algum. Pro Chris num determinado momento a coisa ficou pesada demais, frustração sempre acompanha a falta de condição de investir, e nesse momento já batendo pro oitavo ano de banda, futuro não era uma coisa muito evidente no projeto. Então o Chris saiu e entrou o Buga. Segue alguns registros da época: 2002 à 2005.


Com a entrada do Buga na banda e o ânimo renovado, o Shileper High começou a tomar conta da agenda e o Green Day Cover cada vez menos explorado. Tinham alguns eventos sazonais que eram certos que a banda ia participar e os fazia ainda, mas o espírito do ‘se é pra gastar meu dinheiro, vou gastar com o meu som’ tinha tomado conta de tudo. E não é errado pensar assim, mas o fato de – TOCAR GREEN DAY – era mais importante do que o dinheiro, era simplesmente dar uma extravazada legal nos problemas, tocar as músicas que eram fãs e fazer aquilo com amor. O fato do Green Day Cover estar encostado já nem era mais por conta da condição de grana, mas o Shileper High tinha a prioridade no momento.

Nesse meio tempo eles fizeram um show e uma noite no Kazebre com o Green Day Cover depois de ficarem praticamente um ano sem nenhuma data. Esse show foi quando o Conras, que já tomava a frente de todos os negócios da banda e cuidava de tudo que era problema, percebeu que o fato de eles tocaram pouco não deixava a banda desconhecida, mas deixava a galera ansiosa pelo próximo. Tinha MUITA gente conhecida da banda naquele lugar, e eles não esperavam por isso. Esse foi mais um ponto de virada, pois naquele dia, eles perceberam que por mais que não ganhassem nada, eles tinham construído alguma coisa.

Alguns registros da época, de 2006 – 2009:

Passou o tempo e chegou 2010 e o Green Day anunciou, depois de 12 anos que viria ao Brasil. Ansiedade a flor da pele, mais convites chegando pra shows, obviamente por causa do frisom da turnê e o Shileper High já deitando na cama pra descansar, foi o alinhamento dos planetas pra colocar em prática todos os sonhos com o Green Day Cover que se desenharam nos mesmos 12 anos passados. Em um belo dia, tocou o telefone de contato da banda e mais uma oferta de show começou assim: “Hey queria trazer vocês pra tocar aqui no meu bar, quanto custa? – Conras: ‘quanto geralmente você pagar pro pessoal?'” e pronto, e um show eles iam ganhar mais do que ganharam nos últimos 12 anos de história. Tudo bem que pra fazer isso, teriam que rodar quase 2000 Kilometros, mas esse tipo de encrenca já era normal pra galera. E não que não valesse o valor pago, mas era um mundo desconhecido: “receber um cachê”. E isso mudou muita coisa.

Taí o regitro dos shows – o contratante comprou dois – Cascavel e Guarapuava -:


Aí o negócio ficou louco, porque na cabeça deles funcionava assim: “Se as pessoas vão pagar pra ver a gente tocar, então nós vamos fazer o dinheiro delas valer a pena!” – E aí eles começaram a correr atrás de vender show pois estavam comprometendo toda a grana em adquirir equipamento, montar um show visualmente interessante e de qualidade. Ao longo dos anos eles construíram uma bagagem de experiência que em 3 meses eles estavam ensaiando várias vezes por semana, vendendo shows, tocando bem e ganhando espaço. Pra melhorar a qualidade, o Green Day Cover ganhou um quarto membro, o Flávio na guitarra, que por um acaso hoje é guitarrista do Shileper High.

Fizeram muitos shows em 2010/2011, quase todos longe de SP, e entrar em SP era o grande desafio agora, pois estavam aquelas bandas referência deles, tocando nas casas mais conceituadas, e entrar nesse circuito não é fácil. Mas a coisa estava andando, PR / SC / DF / interior e litoral de SP fazendo de tudo, com sucesso de público e de crítica. Mas isso cobra um preço, e o Flávio começou a se enrolar com o trabalho fixo dele pra cumprir a agenda de shows e teve de deixar o barco pra entrada do Denis, e fechando a formação que dura até hoje.

Em 2011 receberam um convite do Morrison em São Paulo pra uma apresentação. Lá tocaram e tocam até hoje, vivendo pela primeira vez o sonho de fazer um som em um das casas mais conceituadas e respeitadas de São Paulo e se tornando residente com os shows cada vez mais explosivos. Obviamente, já tinham conquistado São Paulo e estavam vivendo tudo aquilo que imaginaram lá atrás, mas queriam ir mais longe. Nos anos que passaram montaram um fã clube de Green Day, trouxeram vários produtos pros fãs que não tinham acesso e criaram a festa F**K CELEBRATION com a primeira edição em 2013 pros fãs lavarem a alma com set lists longos e totalmente dedicada ao GD e onde menores de idade pudessem entrar. O Green Day Cover estava conseguindo construir uma coisa rara entre as bandas covers, que é um público fiel à banda e não somente a aceitação das casas de shows e bares de rock.

Então vieram os programas do SBT no mesmo 2013 pra coroar todo o resultado do que estavam construindo. A banda fez uma participação meio sem querer no programa ‘Famoso Quem?’ onde artistas interpretavam alguém que os inspirava e a banda fez sua participação com foco no vocalista Guille e surpreendentemente ganhou o primeiro lugar. A repercussão foi instantânea e a banda alcançava um público maior, diferente e totalmente novo, além do convite para voltar em outros programas da casa. Assim, fizeram mais duas participações em programa de formatos semelhante – o ‘Máquina da Fama’ – com duas atuações destacadas. Esta fase foi um marco de que a rotina tinha de ser profissionalizada, bem como as apresentações, a administração e a comunicação como um todo, ao tempo que os shows continuavam aparecendo e as casas lotando.

Uma coisa ruim que acontece quando se tem uma exposição grande é que muita gente tenta se aproveitar e as prezepadas não pararam, ficaram presos em bar fechado com cachorro raivoso não deixando sair, dormiram em mesa de escritório, voltaram de mãos abanando com contratante que sumiu com o depósito, tocaram pra 2 pessoas, tiveram instrumentos roubados, destruíram carro na estrada, mas a banda e a amizade nunca deixou eles na mão, e tudo sempre foi contornado e o grupo fortalecido, mas nos anos que seguiram foram de pé tirado do acelerador. Continuaram com uma agenda extensa, mas sem novos contratantes ou que pelo menos não tinham uma boa referência, continuaram tocar em casas com estrutura simples mas que demonstravam muita vontade de ter a banda lá, e enfim, houve uma grande reformulação na forma de administrar a banda, onde foi colocada a honestidade e relação com os contratantes em primeiro plano. Isso obviamente diminuiu a quantidade de shows e de praças que a banda alcançava, mas trouxe mais segurança e tranquilidade pros seus integrantes.

Hoje comemoram 20 anos de estrada, mais de 350 shows contabilizados, com uma história construída em cima de incerteza, loucura, persistência e amizade. Há quem diga que consegue reviver ou ver o Green Day na banda Cover, mas o fato é que eles foram educados com a mensagem da cena Punk e cresceram ouvindo e fazendo o que melhor as bandas e o cenário independente tinham pra oferecer, então todo show é como se fosse o último, toda a energia é extravasada e todos aqueles que se aproximam são bem-vindos.

Soa um pouco clichê de falar de ‘família X’ mas o que acontece hoje é que cada show da banda virou uma reunião de grandes amigos, de diversos lugares do país, em uma noite de catarse e emoção. E a turnê de 20 anos vêm pra celebrar tudo isso aí que passou e pra mais 20 anos que virão. Agradecemos vocês todos por fazerem parte disso!